Em 19 de maio de 2025, o governo brasileiro promulgou um decreto que estabelece uma nova política para a educação a distância (EaD), com foco em garantia de qualidade, ampliação da acessibilidade e padronização da supervisão dos programas de ensino online. Quase um ano depois, as implicações dessa mudança estão se tornando mais claras.
Em um evento recente no YouTube Live promovido pela ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância), o professor Carlos Longo, diretor da ABED, e Rafael Rocha, da ReadSpeaker, discutiram como as instituições estão se adaptando a essas mudanças e as oportunidades estratégicas que estão surgindo com o novo marco.
A seguir, compartilhamos os principais insights da discussão, ampliando o conteúdo do blog explicativo publicado em maio de 2025, quando o marco foi instituído.
Como o setor de educação a distância no Brasil está respondendo ao novo marco?
A educação a distância no Brasil representa quase 50% de todas as matrículas no ensino superior, mas o rápido crescimento do setor expôs desafios estruturais relacionados à qualidade, ao engajamento e aos resultados dos estudantes.
O marco da EaD busca enfrentar essas questões. Mas é importante entender dois elementos que orientam essa transição. O novo marco regulatório define os requisitos legais obrigatórios que as instituições devem cumprir. Paralelamente, existe um conjunto de referenciais de qualidade que estabelecem padrões recomendados e boas práticas para melhorar a experiência de aprendizagem.
Este artigo aborda ambos os aspectos, analisando não apenas as exigências de conformidade, mas também como os referenciais de qualidade — especialmente no que diz respeito à entrega de conteúdo multimodal e à acessibilidade — estão influenciando a estratégia institucional e os resultados dos alunos.
De forma geral, essa transição sinaliza um avanço significativo na maturidade do ensino superior brasileiro — um tema explorado com mais profundidade na discussão do YouTube Live.
“Estamos indo além de estratégias focadas apenas na expansão. Agora, as instituições precisam demonstrar melhorias mensuráveis em acessibilidade, engajamento e resultados de aprendizagem, em vez de simplesmente aumentar o número de matrículas,” Professor Carlos Longo, ABED
O setor está entrando em uma nova fase: uma em que o marco regulatório e os referenciais de qualidade representam uma oportunidade importante de reconstruir a confiança na educação online, permitindo que as instituições se diferenciem pela qualidade da experiência de aprendizagem — e não pela competição de preços.
Quais desafios de implementação as instituições enfrentam?
O marco atualizado da EaD introduz mudanças que impactam todos os modelos de ensino, incluindo cursos híbridos e presenciais. A discussão destacou que, embora as instituições tenham até maio de 2027 para se adequar, o principal desafio é estratégico, não técnico.
Entre as principais dificuldades estão:
- A transição para modelos de ensino híbrido
- A mensuração da experiência e dos resultados dos estudantes
- O alinhamento do ensino com as demandas reais do mercado de trabalho
O marco regulatório exige que as instituições demonstrem melhorias mensuráveis, não apenas mudanças documentais. Para muitas, isso significa redesenhar sua abordagem educacional, tratando a acessibilidade como uma vantagem estratégica — e não como um ônus de conformidade.
Os referenciais de qualidade destacam especialmente a importância da entrega de conteúdo multimodal e de princípios de design inclusivo. Isso cria oportunidades para a adoção de tecnologias de acessibilidade, como o TextAid da ReadSpeaker, que pode atender diferentes necessidades de aprendizagem enquanto apoia a conformidade regulatória.
Por que as taxas de evasão permanecem acima de 50%?
A 15ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil identificou taxas de evasão superiores a 50% nos cursos de educação a distância. Isso vai além do conteúdo — trata-se de um problema de experiência.
A discussão explorou como os estudantes se desengajam quando o aprendizado não se adapta à sua rotina, o conteúdo não é acessível ou flexível, e não há conexão clara com resultados profissionais.
A educação evoluiu de um modelo centrado na oferta para uma experiência orientada pela demanda, em que os estudantes esperam relevância, flexibilidade e valor prático.
Pesquisas também mostram que barreiras de acessibilidade contribuem significativamente para a evasão. Quando o conteúdo não está disponível em múltiplos formatos, estudantes com deficiência visual, dislexia ou necessidades linguísticas enfrentam dificuldades para acompanhar de forma consistente.
Um ponto importante destacado: instituições que abordam a acessibilidade de forma proativa estão observando melhores taxas de retenção — indicando que o design inclusivo beneficia todos os estudantes, não apenas aqueles com necessidades específicas.

Como instituições bem-sucedidas estão indo além da competição por preço?
A discussão também abordou como o foco na competição por preço no mercado educacional brasileiro criou modelos insustentáveis. Muitas instituições expandiram rapidamente, oferecendo diversos cursos em várias localidades sem considerar a demanda real — resultando em baixa adesão, baixo engajamento e alta evasão.
O novo marco incentiva uma abordagem diferente:
- Compreender os mercados locais
- Alinhar programas a oportunidades reais de trabalho
- Projetar o ensino com base no estilo de vida dos estudantes
Essa mudança permite oferecer programas mais direcionados, gerar valor concreto e justificar preços com base em experiência e resultados.
A discussão também destacou exemplos de instituições que demonstram propostas de valor claras ao focar em acessibilidade e design inclusivo. A implementação de tecnologia Text-to-Speech (TTS), por exemplo, ajuda estudantes que trabalham a consumir conteúdo durante deslocamentos, ao mesmo tempo em que apoia aqueles com dificuldades de leitura.
“Criar valor por meio da acessibilidade não é apenas cumprir regras. É criar experiências de aprendizagem que funcionam para pessoas reais, em situações reais,” Rafael Rocha, ReadSpeaker
Por que o ensino híbrido se tornou essencial?
O novo marco reconhece e acelera uma tendência global: a migração para modelos híbridos.
Esses modelos combinam:
- A flexibilidade do ensino online
- A conexão e estrutura do ensino presencial
Para estudantes que trabalham, esse equilíbrio é essencial.
Isso exige repensar:
- A organização de horários
- A entrega de conteúdo (formatos múltiplos)
- Os sistemas de suporte
A tecnologia TTS pode apoiar essa transição, permitindo acesso ao conteúdo em áudio e texto, a qualquer momento e em qualquer dispositivo.
Por que uma estratégia forte de acessibilidade é essencial?
A discussão reforçou que a acessibilidade agora está no centro da qualidade educacional.
Instituições que oferecem:
- Conteúdo multimodal (texto, áudio, interativo)
- Design inclusivo para estudantes neurodivergentes
- Ferramentas adaptadas a diferentes preferências
tendem a ter mais sucesso.
Na prática, isso significa atender:
- Pessoas com deficiência visual
- Estudantes com dislexia ou TDAH
- Falantes não nativos
- Estudantes com rotinas intensas
A tecnologia TTS atende múltiplas necessidades ao mesmo tempo, melhorando compreensão e acesso.
Instituições que tratam a acessibilidade de forma estratégica conseguem atender mais facilmente outros requisitos do marco, já que o design inclusivo melhora naturalmente o engajamento e os resultados.
Quais estratégias de implementação tecnológica funcionam melhor?
Para ter sucesso, as instituições precisam:
- Integrar tecnologia diretamente às plataformas
- Capacitar educadores com casos práticos
- Comunicar claramente os benefícios aos estudantes
A chave é escolher soluções integradas ao LMS, que não exijam treinamento adicional e ofereçam benefícios imediatos.
As instituições mais bem-sucedidas são aquelas que priorizam a experiência do usuário — não a complexidade das ferramentas.
Quais prioridades estratégicas devem ser foco agora?
Três prioridades principais:
- Projetar para o estudante, não para o sistema. Criar programas baseados em perfis reais, mercado de trabalho e estilos de aprendizagem.
- Replanejar academicamente e operacionalmente. Reavaliar estruturas, modelos e custos.
- Entregar valor mensurável. Focar em empregabilidade, engajamento e aplicação prática.
Principal conclusão: instituições que integram acessibilidade desde o início se posicionam como líderes no cenário educacional brasileiro.
Quais resultados iniciais estão sendo observados?
Embora dados completos ainda levem tempo, os primeiros sinais indicam que instituições com abordagem estratégica de acessibilidade estão melhor posicionadas para o sucesso a longo prazo.
Conclusão
A discussão da ABED no YouTube Live mostrou que o novo marco da EaD vai muito além da conformidade regulatória. Trata-se de uma oportunidade de transformação no ensino superior.
As instituições mais bem-sucedidas são aquelas que usam o marco como catalisador para melhorar a experiência de aprendizagem — e não como um obstáculo.
Tecnologias como TTS demonstram que acessibilidade e desempenho caminham juntos, beneficiando toda a comunidade acadêmica.
FAQ
Como as instituições estão se adaptando ao marco da EaD?
Estão adotando design centrado na acessibilidade, com melhorias em engajamento e redução da evasão.
Quais são os principais desafios?
Desafios estratégicos — redesenhar o ensino com foco no estudante e integrar acessibilidade desde o início.
Como a ReadSpeaker apoia as instituições?
O TextAid integra-se ao LMS e oferece acessibilidade imediata sem necessidade de treinamento.
Quais resultados iniciais já são visíveis?
Melhor engajamento, menor evasão, maior satisfação e melhor alinhamento com o mercado de trabalho.
Em resumo
Instituições que tratam a acessibilidade como uma vantagem estratégica tendem a liderar o setor educacional no Brasil.
Uma abordagem multimodal, incluindo tecnologias como Text-to-Speech, melhora os resultados para todos os estudantes e transforma a conformidade regulatória em uma oportunidade de diferenciação competitiva.
Interessado em saber mais? Entre em contato com Rafael Rocha na ReadSpeaker ou participe do nosso canal do WhatsApp ReadSpeaker Education Express para ficar por dentro das últimas novidades.